quarta-feira, 21 de junho de 2017

Comunicação Solidária da ATN face à Catástrofe de Pedrógão Grande



Face aos trágicos acontecimentos, a ATN quer, antes de mais, exprimir a sua solidariedade para com os familiares das vítimas de Pedrógão Grande e com a população da área afetada.

Trata-se de um drama de proporções excecionais, no entanto, infelizmente, os fogos florestais estivais são uma problemática crónica no nosso país, que, para além de afetar regiões já fustigadas pelos dilemas sociais (êxodo rural, desemprego e outros), ano após ano, traduz-se numa diminuição da riqueza florestal, no empobrecimento dos solos e, consequentemente, na perda da biodiversidade. 
   
 A ATN já sofreu bastante com incêndios de grandes proporções que devastaram as áreas que nos propomos a proteger. Ao longo dos anos fomos aperfeiçoando a nossa capacidade para mitigar as condições que permitem estes acontecimentos. 


Com base na nossa experiência direta, ao longo dos anos, e considerando a complexidade social e territorial dos fogos, campanhas de Vigilância ativa, trabalho colaborativo na gestão da floresta e fomento de redes de contactos para a vigilância, dão resultados positivos na deteção e combate rápido de ignições. 


Estas, combinadas com ações de prevenção através da silvicultura preventiva, do pastoreio extensivo com grandes herbívoros em estado semisselvagem, da diversificação do coberto florestal, da promoção da descontinuidade do mosaico agroflorestal, da melhoria das linhas de água e do aumento da capacidade de retenção de água na paisagem, - que podem ser executados com recursos proporcionalmente reduzidos-, aumentam a resiliência e diminuem o risco e severidade dos incêndios. 

Consideramos que nesta altura são mais importantes os contributos das pessoas envolvidas diretamente nas dinâmicas das zonas rurais, que vivem e trabalham todos os dias nesta realidade, do que considerações teóricas distantes, onde não há contacto nem consciência concreta das situações. É fundamental, para além da presença ativa nos locais sensíveis, uma reflexão profunda sobre as causas que levaram a este desastre, nomeadamente os cobertos monoculturais contínuos de espécies pirófilas (no caso, o pinheiro e o eucalipto) e a renovação das políticas até agora aplicadas, para que as mesmas sejam realmente eficazes.
Nesse sentido, identificamos a necessidade de uma nova política florestal que invista numa floresta diversificada, resiliente ao fogo e caracterizada por espécies autóctones, disponibilizando recursos e meios para um ordenamento de território ativo; para a profissionalização e especialização dos principais atores envolvidos no combate direto e para o trabalho de proximidade contínuo com as comunidades locais. 




terça-feira, 13 de junho de 2017

Reprodução de borrachos confirmada em 3 pombais recuperados pela ATN

Desde janeiro de 2017 foram recuperados 3 pombais situados no território da Águia de Bonelli. Depois de recuperados, dois deles foram repovoados e o outro, como já tinha pombas, apenas foi fornecido o alimento.

Atualmente, nos 3 pombais já se confirmou a reprodução de borrachos.


O objectivo desta ação, levada a cabo pelo Club de Fincas, é o de promover o aumento da população de Pombas das Rochas (uma das principais presas da Águia de Bonelli) e o de manter os pombais, tão característicos da região.







segunda-feira, 12 de junho de 2017

Libertação do Britango “Poiares”, um sucesso de equipa



Foi libertado, no dia 2 de Junho, o britango “Poiares”, no Penedo de Durão, a partir de uma ação dinamizada pela Associação Transumância e Natureza (ATN). 
Momento da Libertação (02 de Junho)

O britango tinha sido encontrado no dia 28 de Maio, por uma habitante de Poiares que comunicou com a ATN, identificando-o inicialmente como sendo um milhafre com dificuldades no voo.
Quando a equipa da ATN – no caso, Núria Vallverdú e Eduardo Realinho - chegaram ao local, identificaram o animal como um britango (ou abutre do Egipto) e confirmaram que não tinha nenhum ferimento evidente e que apenas estava a tentar voar embora sem sucesso.
A ação da equipa da ATN foi trazê-lo até Ricardo Brandão, Veterinário do Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS), que no momento estava a participar, como formador, no X Curso de Aves de Rapina (organizado pela ATN durante o fim de semana de 26 a 28 de maio), para que o mesmo pudesse avaliar o animal. 
Primeira Análise Realizada no Terreno por Ricardo Brandão (28 de Maio)
Confirmado que não apresentava nenhum ferimento, Ricardo Brandão, Núria e Eduardo dirigiram-se de seguida para as instalações do CERVAS, em Gouveia, para uma análise mais cuidada.
Aparentemente, o indivíduo apresentava apenas sintomas de desnutrição, no entanto foram recolhidas amostras para que se descartar outro tipo de causas. Núria Vallverdú, como veterinária especialista em toxicologia foi a pessoa que dirigiu as amostras em relação aos despistes que deveriam ser feitos primeiro. 

Nesse sentido, a primeira análise fez-se ao nível de chumbo de forma a poder ser descartada a hipótese de intoxicação. Entretanto, o britango permaneceu no CERVAS, e como se alimentou bem desde o primeiro dia, nos seguintes já mostrou evolução e passou para uma área maior para exercitar o voo.
Na quinta-feira a seguir, dia 1 de Junho, foi feita a colocação de um transmissor de GPS, por José Jambas, e foi batizado com o nome de “Poiares”, devido ao sítio onde foi encontrado.
Preparação do Transmissor por José Jambas (01 de Junho)

Colocação do Transmissor por José Jambas e Ricardo Brandão
Este é o segundo individuo marcado com um transmissor no âmbito do “LIFE Rupis” e a sua colocação permite a monitorização dos seus movimentos.
No dia da libertação, sexta-feira, dia 2 de Junho, os resultados das análises chegaram e concluíram que não havia nada de errado com “Poiares” e que, afinal, o individuo se tratava de uma fêmea.
De salientar que o facto da recuperação de Poiares se ter feito em cinco dias foi bastante importante, pois caso se trate de uma progenitora, o facto de não estar presente impossibilita o outro progenitor de abandonar o ninho, que consequentemente impede a busca de alimento, tanto para as crias como para os indivíduos adultos.
No momento da libertação foi feita uma apresentação do projeto “LIFE Rupis” e uma explicação dos acontecimentos por parte das pessoas que encontraram o Britango.

Última Análise ao Britango por Ricardo Brandão (02 de Junho)
Para além de Ricardo Brandão, a devolução à Natureza da “Poiares”, contou com a presença de vários parceiros da ATN no projeto “LIFE Rupis”, tais como a Vulture Conservation Foundation, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, a Associação Palombar, a Guarda Nacional Republicana, o ICNF e a Presidente da Câmara de Freixo de Espada à Cinta. Algumas personalidades ilustres também estiveram presentes, no caso, Manuel Alegre.
Libertação do Britango Poiares (02 de Junho)
Toda esta ação só foi possível a partir do trabalho desenvolvido pela equipa da ATN, no âmbito do projeto “LIFE Rupis”, nas várias ações de educação ambiental em que se comprova que a população já esta preparada para reagir neste tipo de situações. Para além disso, vê-se reconhecido todo o trabalho de monitorização no campo pela ATN, no controlo de animais feridos e intoxicados.

Britango Poiares de volta à Natureza (02 de Junho)













 

terça-feira, 6 de junho de 2017

X Curso de Identificação, Biologia e Conservação de Aves de Rapina



Realizou-se, nos dias 26 a 28 de Maio, o X Curso de Identificação, Biologia e Conservação de Aves de Rapina organizado pela Associação Transumância e Natureza (ATN), em Figueira de Castelo Rodrigo. 
Observação de Aves de Rapina em Vermiosa

A formação contou com a presença de 15 participantes e 5 formadores (Carlos Pacheco, Ricardo Brandão, Eduardo Realinho, José Jambas e Jorge Amaral), e foi composta por duas componentes distintas: uma parte teórica e uma parte prática.
Nas sessões teóricas, levadas a cabo na Casa da Cultura da Vila, entre o dia 26 e 27, foram abordadas várias “técnicas” de identificação e implementação de acções de conservação de aves de rapina e identificação avançada de rapinas nocturnas e diurnas, com a inclusão de cadáveres de alguns espécimes para melhor identificação.
Sessão Teórica com Carlos Pacheco
Sessão Teórica com Carlos Pacheco e Ricardo Brandão
A componente prática direccionada à observação de aves de rapina em habitats agro-florestais e rupícolas realizou-se entre Vilar Torpim, Almofala, Alto da sapinha, Penedo Durão e Puerto de la Molinera (Lumbrales, Espanha) em que os formandos puderam identificar as aves estudadas. 

Observação de Aves na Capela de S. André - Almofala

Para além das actividades diurnas, esta décima edição incluiu duas actividades nocturnas.
Na primeira, realizada na noite de sexta-feira, dia 26, foi libertada uma Coruja das Torres que tinha sido encontrada há cerca de 5 meses com sinais de atropelamento e que após a sua recuperação foi devolvida à natureza, baptizada com o nome de “Sofia” pelos participantes do curso.
Libertação da Coruja-das-Torres "Sofia"
A segunda actividade nocturna, levada a cabo no sábado, dia 27, consistiu na instalação de uma caixa de ninho, no Convento de Santa Maria de Aguiar, e numa actividade de chamamento de aves de rapina nocturnas, entre o Convento de Santa Maria de Aguiar e o Castelo de Figueira de Castelo Rodrigo.
Actividade de Chamamento de Aves de Rapina Nocturnas
Um dos pontos altos da Xª Edição do Curso teve lugar no domingo, junto de um dos alimentadores da ATN, aquando do resgaste de um Abutre do Egipto (ou Britango), que tinha sido encontrado, com dificuldades em voar, em Poiares, nesse mesmo dia,  e levado de seguida para o Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS). O momento foi muito importante entre os participantes, pois, no último dia do curso, puderam testemunhar a colaboração da população com a ATN e a sua rápida intervenção, numa ave sobre a qual estiveram a aprender a identificar e a observar durante a formação.
Análise de Britango encontrado em Poiares
Segundo o feedback dado pelos participantes, o X Curso de Identificação, Biologia e Conservação de Aves de Rapina foi bastante produtivo e interessante, superando todas as expectativas.